Setembro Amarelo: precisamos falar sobre suicídio

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Setembro Amarelo: precisamos falar sobre suicídio - Henrique Botteon

Sei que esse tema pode assustar um pouco e nem todo mundo gosta ou quer falar sobre isso, mas é necessário abordamos esse assunto. Essa campanha começou no Brasil em 2014, tendo como a data símbolo o dia 10 de setembro, o Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio, visa a conscientização, a desmistificação e a prevenção do suicídio.

De acordo com a organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo, e se considerarmos a tentativa de suicídio, o numero é ainda mais alarmante, onde a cada 3 segundos uma pessoa atenta contra a própria vida.

No Brasil, os casos passam de 13 mil ao ano, aproximadamente a cada 40 minutos uma pessoa morre por suicídio, mas sabemos que esse número é muito maior, pois existe uma alta taxa de subnotificação.

O suicídio é um fenômeno presente ao longo de toda a história da humanidade, sendo este um comportamento com determinantes multifatoriais e resultados de uma complexa interação de fatores: psicológicos, biológicos, culturais e socioambientais. Dessa forma, o ato contra a própria vida deve ser considerado como um desfecho de uma série de fatores que se acumularam na história do individuo, não podendo ser considerado uma forma causal e simplista, mas sim como consequência final de um processo.

Segundo levantamento da OMS, até 90% dos casos de suicido poderiam ter sido evitados se a pessoa tivesse recebido cuidados médicos e psicológicos, esse é um dado muito sensível, pois a prevenção é diferente da previsão, ou seja, existem fatores de risco que devemos nos atentar, como: tentativa previa de suicídio; doenças mentais, com destaque para depressão, alcoolismo e abuso/dependência de outras drogas e transtorno bipolar; mudança brusca de comportamento, esses sinais são importantes passar por um atendimento profissional. Porem mais que a pessoa passe por um atendimento, não é possível prever se a pessoa ira ou não cometer o ato, mas com uma analise cuidadosa aos fatores de risco, é possível estabelecer um tratamento adequado.

Diversos fatores podem impedir a detecção precoce e, assim a prevenção ao suicídio, sendo elas o estigma e o tabu relacionado ao assunto. Por isso é necessário falar abertamente sobre o assunto, possibilitando conhecimento e informação para que a pessoa consiga procurar ajuda e principalmente falar sobre o seu sofrimento, pois as pessoas não desejam acabar com a vida e sim dar um fim a dor que esta sentindo. É importante saber que a pessoa que decide terminar com sua própria vida, seus pensamento, sentimentos e ações se apresentam muito restritos, ou seja, ela pensa a todo momento no suicídio, sendo incapaz de perceber outras maneiras de enfrentamento do problema, por isso é tão difícil encontrar, sozinho, alguma alternativa.

A intervenção de familiares, amigos e próximos é fundamental para orientar a pessoa que se encontra em grande sofrimento emocional a procurar ajuda profissional, podendo ser no CAPS, Unidade Básica de Saúde, UPA, psiquiatras e psicólogos. Também podemos destacar o Centro de Valorização da Vida (CVV) que atende gratuitamente e em total sigilo pelo numero 188 (celulares e telefone fixo) e também pelo site www.cvv.org.br  24 horas por dia 7 dias na semana.

Devemos nos manter informados, pois somente com conhecimento conseguimos vencer os estigmas e tabus e assim ajudar efetivamente as pessoas com as quais convivemos, abrace essa causa, mantenha-se informado para melhor ajudar.

Henrique Botteon, psicólogo, especialista em Saúde Mental. Coordenador do PEVI – Projeto Esperança e Vida, comunidade terapêutica em São José do Rio Pardo.

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