Falando da Caminhada

Como foi minha caminhada em N/A? Será importante saber como foi? Bastante útil para mim mesma, que faço uma reflexão bem consciente de tudo o que passou, como o despertar contínuo que começou no dia em que entrei na sala de N/A, que é de certa forma o Quarto Passo que realizo mais uma vez em minha vida de N/A. A manifestação da doença que me trouxe ao N/A foi a DEPRESSÃO. Fui levada ao N/A por uma alcoólatra a quem devo eterna gratidão. E lá chegando vi que a coisa é muito, muito profunda, Muito individual, muita responsabilidade, muita coragem, desejo sincero, prontificação. Desejo de se conhecer. Reconhecer que a doença está em mim. Que só eu podia e posso tratá-la. E para isso preciso coragem, humildade, aceitação, entrega. Que tenho que continuar só por aqui e agora. Falando do aqui e agora.

Como estão meus sentimentos, minhas emoções, meu comportamento diante da vida? O que mudou? O que ainda precisa mudar? Tenho certeza de que são muitas as mudanças internas já conseguidas e muitas outras ainda a conseguir. Morais. Espirituais. Preciso ainda me observar muito. Ser consciente. Voltada para o meu centro. Dando o enfoque correto, ético, mudar para melhor todo o meu ser. Verifico que o que sinto hoje já é mais agradável, não machuca tanto quanto antes, já tem mais significado benéfico e bem estar.

O que sinto hoje já não é incômodo como antes, inadequado, sempre faltando algo que nem sempre é possível identificar, o vazio existencial torturante, terrível. Agora já me pergunto: Por que estou sentindo isto? Eu sei que não foi quem ou o que me feriu, foi meu orgulho. Já consigo identificar quando algo me incomoda. Nada fora de mim é a causa, o culpado. Não posso mais culpar os outros, situações e circunstâncias. Não cabe mais no meu caso, fugas e justificativas falsas, negando a responsabilidade que é exclusivamente minha, porque a coisa mais fácil é enganar a mim mesma. Fingir, mentir, jogar a culpa para todos e tudo fora de mim. Não há como, porque agindo assim, vou cada vez ficando mais enferma. Não posso nem alegar que é mais cômodo, porque é impossível ser mais cômodo continuar sofrendo. Não quero mais sofrer por causa de emoções ruins e deprimentes. Não existe outra maneira se não olhar bem dentro de mim e fazer tudo que é possível no aqui e agora por mim mesma. (continua no próximo)