ECONOMIA CIRCULAR. LOGÍSTICA REVERSA

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O que é?

Antes de entrarmos diretamente neste assunto, é preciso voltar um pouquinho no tempo.

Caso você tenha mais ou menos a minha idade certamente se lembrará do acidente com o césio 137 em Goiânia, 34 anos atrás.

Não. Não foi um acidente aéreo como pode parecer.

Este foi o maior acidente radioativo do Brasil e o maior do mundo ocorrido fora das indústrias nucleares.

Perdemos apenas para o desastre na usina de Chernobyl (Ucrânia 1986).
Lá foram 31 mortos diretamente. 15 mortos indiretamente. 6000 casos de câncer de tireóide. 4000 fatalidades a longo prazo no mundo soviético e 16.000 mortes devido a contaminação pela Europa (Estudo da ONU).

No nosso caso o corrido se deu em 1987.

Dois catadores acharam um antigo aparelho de radioterapia.
O maior interesse deles, certamente, era com o lucro que seria obtido com a venda das partes de metal e chumbo.

Leigos no assunto, não tinham a menor noção do que havia no seu interior.
Retiraram as peças de seu interesse (que levou 5 dias) e venderam o que sobrou a um ferro-velho.

 

 

O dono do ferro-velho ao desmontar a máquina, expôs ao ambiente 19,26 grs de cloreto de césio 137, um pó branco parecido com sal de cozinha que, no escuro, brilha com uma coloração azul.

O proprietário do ferro-velho ficou encantado com aquilo e decidiu exibir o achado a seus familiares, amigos e parte da vizinhança.

Todos acreditavam estar diante de algo sobrenatural e passaram a levar amostras para suas casas.
Aquele material espalhou-se facilmente entre crianças, jovens, adultos e idosos.

Consequências.

Com poucas horas após o contato com a substância, as vítimas apareceram com os primeiros sintomas da contaminação (vômitos, náuseas, diarreias e tonturas).

Um grande número de pessoas passou a procurar farmácias e hospitais, mas ninguém imaginava o que estava ocorrendo.

Somente dias depois, a esposa do dono do ferro-velho, levou parte da máquina de radioterapia até a sede da Vigilância Sanitária.

Até então, várias pessoas já haviam morrido e centenas estavam contaminadas.

Entenda melhor os efeitos da radiação no corpo humano: 👇👇

https://mundoeducacao.uol.com.br/quimica/efeitos-radiacao-no-corpo-humano.htm

O trabalho de descontaminação dos locais atingidos não foi fácil.
A retirada de todo material contaminado com o césio 137 rendeu 6000 toneladas de lixo (roupas, utensílios, materiais de construção, etc).

Tal lixo radioativo encontra-se confinado em 1200 caixas, 2900 tambores e 14 contêineres (revestidos com concreto e aço), em um depósito construído na cidade de Abadia de Goiás, onde deve ficar por aproximadamente 600 anos.

Punições.

Foram condenados a 3 anos e 2 meses de prisão os sócios e alguns funcionários da clínica pelo descarte incorreto do aparelho de radioterapia, pena esta que foi substituída por prestação de serviços.

Veja algumas fotos da tragédia de Goiânia em 1987: 👇👇👇

Na época as vítimas fundaram a Associação de Contaminados pelo Césio 137 para lutarem por seus direitos de assistência médica e medicamentos gratuitos.

Muitas pessoas que conseguiram sobreviver, carregam ao longo dos anos problemas cardíacos, câncer, distúrbio mental, além do preconceito da sociedade.

Após o exposto até aqui, você percebe o quanto é importante o descarte correto para o meio ambiente e a saúde das pessoas?

Você já ouviu falar da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)?

Trata-se da Lei Federal 12.305, criada em 2010, com o objetivo de reduzir a quantidade de resíduos direcionados para aterros e lixões.

A PNRS tem oferecido um conjunto de diretrizes para adequarmos o nosso presente a um futuro melhor, onde todos somos responsáveis pelo que produzimos e consumimos.

Fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e consumidores: todos possuem responsabilidades sobre resíduos gerados.

Entendeu como deveria ocorrer a Logística Reversa em toda cadeia de produção e consumo?
Como toda embalagem e produtos após serem consumidos deveriam voltar para a indústria de reciclagem e de produção?

Um exemplo muito didático sobre Economia Circular é o que vemos neste pequeno vídeo do Programa Tampinha Legal. 👇👇👇

https://m.facebook.com/watch/?v=233575434313331&_rdr

Um outro agravante que encontramos no Brasil para praticar a Logística Reversa está na chamada: Coleta Seletiva.

A grande maioria dos nossos municípios não tem como fazer a coleta por falta de Cooperativas de Reciclagem.

Esse é um dos meus sonhos para São José do Rio Pardo.

Todo o nosso “lixo” (não gosto dessa palavra) produzido nas nossas casas vão para aterros ou lixões. Sem nenhum tipo de triagem. Tudo misturado.

Enquanto esse sonho não se realiza, continuaremos com nossas Campanhas Beneficentes de Arrecadação de Recicláveis (Cambear) que desenvolvemos no município em prol de algumas Entidades Assistenciais (Asilo Lar de Jesus, Agradef Ong e Pevi – Projeto Esperança e Vida).

Vale a pena lembrar:

* Tampinhas plásticas.
* Lacrinhos de latinhas de alumínio.
* Aerosois em alumínio.
* Caixinhas longa vida.
* Tampinhas de metal e
* Cartelas vazias de comprimidos.

Também deve ser enaltecido o belo trabalho do Sincopar (Sindicato do Comércio Varejista da Região de São José do Rio Pardo), na Logística Reversa de pilhas e baterias em nossas cidades, proporcionando aos cidadãos a realização do descarte correto.

Outro trabalho bacana que está sendo realizado na nossa região é a parceria do Rotary Club com a empresa de reciclagem de lixo eletrônico: Led Reciclagem Tecnológica, de Mococa-SP. 👇👇

https://www.facebook.com/LED-Reciclagem-tecnol%C3%B3gica-113437040513037/

O trabalho consiste em proporcionar para a população uma data e local previamente definidos a fim de serem descartados corretamente os chamados: e-lixos (equipamentos eletro-eletrônicos variados, celulares, TV’s, computadores, geladeiras, micro-ondas, etc).

Para finalizar, gostaria de deixar um link, como sugestão de leitura, da amiga Simara Souza, Coordenadora Executiva do Instituto SustenPlást.

Nele, Simara nos presenteia com uma bela reflexão sobre o tema.
Boa leitura! 👇👇👇

https://www.linkedin.com/pulse/pl%25C3%25A1sticos-e-sustentabilidade-simara-souza

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