PENDUROU O APITO – Alessandro Darcie encerra carreira na arbitragem profissional

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Nelson Leandro Capiteli

Em um país tão apaixonado por futebol como o Brasil, a profissão de árbitro não parece ser uma das mais tranquilas a ser exercida. Diante de todo o ímpeto de vitória dos atletas e do fanatismo dos torcedores, a tarefa de comandar uma partida é algo que poucos se arriscam. Embora não tenham carteira de trabalho assinada como outros profissionais do esporte, também são considerados trabalhadores e a profissão é regulamentada por legislação própria.

São José do Rio Pardo já possuiu árbitros vinculados na Federação Paulista de Futebol (FPF). Um deles é o saudoso José Armando Ribeiro Filho, natural de Jaboticabal mas radicou-se na cidade onde trabalhou por décadas na Polícia Civil rio-pardense e depois como despachante. Cleber Wellington Abade é o que atingiu o maior alcance na arbitragem nacional: foram 15 anos de carreira na FPF e CBF (Confederação Brasileira de Futebol) com 511 jogos oficiais, inclusive participou de seletiva para o escudo da FIFA.

Alessandro Darcie, bastante conhecido em sua terra natal como Guri, decidiu no final do último ano encerrar carreira e não está participando da atual pré-temporada da FPF visando as competições deste 2021. Filho de João Luiz Darcie e Marlene Viana Darcie, é casado com Brisa Maria Folchetti Darcie e o casal possui uma filha: Íris, de 3 anos. Radicado em São Paulo/SP há mais de uma década, completará 43 anos no próximo 11 de fevereiro. Sua carreira e os motivos da sua “aposentadoria” dos gramados são relatados em entrevista concedida nesta semana. Da região agora serão apenas dois representantes: o tapiratibense André Luís Riquena e o mocoquense Rafael Castelli Prini, já que o divinolandense Marcos César Philomeno também não está na atual pré-temporada da FPF.

Brisa, Íris e Alessandro

O JORNALZINHO: Guri, quando e como foi o início de sua carreira como árbitro?
ALESSANDRO DARCIE: iniciei carreira no campo do Bonsucesso de São José do Rio Pardo, apitando jogos dos veteranos. No início também apitei nos campeonatos amadores da cidade e região. Em 2004 fiz o curso pela FPF, em outra realidade. Para ser árbitro de ponta, foi preciso muita dedicação nas provas teóricas e físicas, além de estar pronto para trabalhar em jogos por todo o estado de São Paulo.

OJ: Você se inspirou em algum juiz de futebol?
AD: Cleber Abade, um dos grandes árbitros do futebol brasileiro, foi minha referência no início. Hoje minha torcida é para todos os colegas que conquistei ao longo de minha carreira.

OJ: Na várzea, pela falta de segurança, é mais difícil apitar?
AD: Nunca tive problemas com agressões, mas cada jogo é uma realidade e sendo árbitro destas partidas amadoras a minha vivência por ter atuado como jogador amador facilitou e deu maior confiança ao falar a mesma língua dos atletas.

OJ: Quantos jogos oficiais trabalhou?
AD: Apitei muitos jogos, nunca parei para fazer as contas.

OJ: Qual foi o melhor e o pior momento de sua carreira?
AD: Vivenciei grandes momentos e em cada jogo fiz o meu melhor. Apitei partidas dos grandes de São Paulo e praticamente em todos times do interior. Isso pra mim são os melhores momentos. Tive decepção numa agressão sofrida em 2011 na Série A-2 do Paulistão. Na várzea nunca sofri nada, mas alguns clubes profissionais do interior são amadores ao extremo.

OJ: Conte alguns bastidores da arbitragem profissional.
AD: Cada história fica no vestiário. Apitei jogos debaixo de muita chuva, inclusive com espera de até uma hora para reiniciar a partida. São atuações com chuteira escorregadia, comunicação entre os auxiliares não funcionando, equipes de arbitragem chegando em cima da hora do jogo, enfim, são muitas histórias.

OJ: Quanto ganha um árbitro e seus assistentes em jogos profissionais?
AD: Árbitro ganha bem quando é sempre escalado durante o mês, mas não dá para viver só arbitrando futebol, temos que ter nossa profissão.

OJ: Dizem que em sua adolescência você era corintiano. Como foi apitar um jogo do grande clube do seu coração?
AD: Todos têm seu time do coração. Apitei jogos dos quatro grandes clubes paulistas e foi uma emoção enorme, principalmente com estádio cheio. Meu time é o rio-pardense Bonsucesso FC!

OJ: Árbitros, como o paranaense Héber Roberto Lopes, seguem apitando na elite brasileira mesmo com 48 anos. Porque você pendurou o apito aos 42 anos?
AD: Minha carreira sempre foi intensa, porque me preparava e trabalhava nos jogos com muito profissionalismo. Em 2019 deixei minha profissão de personal trainer e abri uma franquia do “Bazar Cresci & Perdi”. Isso fez com que meu tempo e dedicação na arbitragem fosse encurtando. Então decidi ser intenso nesta nova empreitada e também cuidar da minha família. Admiro o Héber e torço por ele e para cada árbitro que entra em campo.

OJ: Quais suas pretensões futuras, inclusive envolvendo sua terra natal?
AD: Pretendo voltar para São José do Rio Pardo, eis que nossos familiares estão todos aí. Hoje já estou com duas franquias e por enquanto vamos para nossa terra natal apenas para visitação, apesar desta pandemia nos deixar um pouco mais distante.

OJ: Em suas considerações finais, qual seu recado aos que pretendem iniciar na arbitragem e aos que sonham com o futebol profissional?
AD: Acredito que tudo é possível nesta vida curta e intensa. Hoje para ser árbitro de futebol acredito que seja um pouco mais complicado devido o momento mundial.

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