A dança da fumaça

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A dança da fumaça

Deitado na cama tragando o incontável cigarro do dia, observo diligentemente a
dança caminhante que a fumaça percorre até a luz amarelada do quarto, dançando
graciosamente até se dissipar no teto toscamente iluminado.

 

O suor nas mãos e nos pés tão recorrentes não incomodam mais, na verdade
incomodam, mas menos que antes. A observação da fumaça me faz querer escrever,
pego um caderno de folhas inteiramente brancas e rabisco de forma negligente
essas palavras que espero digitá-las no computador algum dia. Ou apenas que essa
seja mais uma folha acumulada de versos que jamais serão lidos, como os que
incidem sob o verso desta mesma.

A verdade é que tenho observado sensações físicas, acredito eu, por não estar
conseguindo concluir uma só crônica. Há alguns meses tento escrever um único
texto para voltar a publicar no “O JornalZinho”.

O espaço vertical da folha está acabando e talvez essa seja a deixa para concluir
mais esse texto medíocre. Mas talvez esse seja digitado, talvez esse seja publicado.

Por que enquanto isso não acontecer, continuarei absorto observando a dança da
fumaça, suando por não conseguir concluir uma só coluna.

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