/Eu quero ir para o mato! //

0
256

Vou me embora acampar: Lá sou amigo do pernilongo.

Lá tenho a comida que quero, na hora que quero.

Vou me embora acampar.

No mato, faço a fogueira onde quiser, bagunço minhas tralhas sem ter razão, nem o porquê. Preciso de um detox, por isso, vou-me embora para o mato!

Neste fuzuê de Pandemia que não acaba nunca, o mato é o melhor lugar para se ficar. Ar puro, bem-te-vis, sombra e água fresca.

Vou-me embora acampar. Aqui na selva de pedra não dá mais pé. Muita fumaça, correria, stress, sujeira, burocracia. Muito barulho por nada. Aí meu Deus, não há coração que aguente tanto lamento, só mesmo a poesia para me salvar: Vou me embora para o mato: Lá sou amigo do bem-te-vi.

Eu quero ir para o mato, é onde consigo fazer a caminhada que tanto gosto, brincando de bandeirante mambembe, como um Gandalf tropical a vagar entre as folhas, galhos, aturando as muriçocas, enquanto coço as picadas de carrapato no calcanhar. Vou-me embora: lá sou amigo do rei!


Quero acampar, para que no meu cantinho da barraca, deitado debaixo do céu de estrelas, possa me re-energizar nas forças que só a natureza consegue.

Vou me embora acampar! Sentir o aroma do mato, a textura do chão de terra, enfiar o pé na lama, ouvir a melodia do rio, e aprender com serenidade e integridade, o jeito Manoel de Barros de se ver o mundo.

Vou-me embora para o mato, pois aqui, não dá mais pé. Quem sabe lá perto das cigarras, passarinhos, grilos e toquinhos pelo chão, consiga entender um pouco mais sobre meu papel, dentro deste mundo de Sebastião.

Vou-me embora para o mato. Aqui não dá mais pé. Te vejo em breve, quem sabe daqui um ano ou dois, quando tudo puder voltar os planos puderem voltar, talvez eu volte para a cidade.

Um dia eu volto, mas eu quero esquece-la. Eu preciso. Eu quero um cantinho de chão ver.

Vou me embora acampar. Te vejo por aí, quem sabe, em algum lugar.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here