/As minhocas na cabeça de Marcelino Freire//

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/As minhocas na cabeça de Marcelino Freire//

Primeiro foi a quantidade de trabalho, aumentou a carga e o medo da falta de trabalho talhou o sangue e subiu para o coração: bateu o desespero. Meu Deus! E a conta de luz?

Depois que o Emanuel só fala pra mim de um povo estranho, uma gente estrangeira… E aquele tal de Harlan Coben que ele tanto gosta? Que vive procrastinando de ler e nunca lê? E ainda diz que gosta dele? Vai ler porra! Para de me encher o saco e lê!

Aí quando sou simpático com ele, fazemos live e o escambau, falo do meu amor por Guimaraes Rosa, Rachel de Queiroz, grandes nomes da minha terra, ele me solta verborragias made in USA! Vai pra lá então, cacete! Mora lá

E quando ele vê nas minhas redes sociais, os encontros digitais com meus amigos queridos, e depois vem todo serelepe comentar comigo suas impressões? Cara mais chato! Quem ele pensa que é?

Que saco cara! Vai encher a tua Nonna! Galudinho do interior falando comigo, dizendo ‘’ser amigo’’ do Xico Sá… O Zanatta então! Nossa… coitado! Tá ferrado, tenho até dó dele.

Mas por que é que eu vivo falando com ele de noite? E aquele papo de política dele? Nêgo mais em cima do muro que ele só o gato do vizinho. Ainda mato aquele gato desgraçado!

Já mandei uns cinco livros para ele e nem para me dizer obrigado! Que cara de pau aquele Madeira! Não sei até agora se ele já não desconfiou que não quero mais falar com ele. Simpatia tem limite, sabia?

‘’Por que não respondo mais tuas mensagens insuportáveis no WhatsApp?’’ Porque não quero, cacete!

Porra! Eu tenho mais o que fazer, cara! O chão não limpa sozinho! A privada precisa ser lavada, sabia!? Senão nem cagar, eu faço mais em paz! Tenho gente mais importante do que um fóton anônimo do outro lado do estado, para lidar, sabia, ô meu!

E não me encha mais o saco!

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