/A sociologia de Friends//

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/A sociologia de Friends//

Já dizia Paulo Francis que culturalmente, os americanos têm a televisão como grande influenciador político-cultural.

Foi nos anos 80 com o surgimento das séries de TV do tipo ‘’Miami Vice’’ ‘’Magnum’’ ou ‘’Profissão Perigo’’, que sentar em frente ao televisor tornou-se um costume familiar, passando a ser um novo padrão de comportamento da tradicional família americana.

Ganhou fama também o formato sitcons, ou, num bom brasileiro de botequim, comédias de sofá.

Porém, com o passar dos anos, as séries que se baseavam nos costumes familiares, começaram também a definir padrões sociais.

 

 

O exemplo mais visível da força desta formação comportamental, foi a série de sucesso de Friends dos anos 90.

Onde muitos olhos desatentos só veriam um grupo de amigos fazendo piadas e gozação, outros mais próximo a sociologia, perceberiam algumas mudanças nas tendências da época, sendo talvez o mais relevante, a primeira aparição do arquétipo do jovem-adulto na sociedade, o sujeito nos seus 20, 30 anos com pouca, ou nenhuma, estabilidade financeira e social.

Com Friends, o discurso do ‘’depois do casamento a vida acontece’’ se mostra furado, com esta dita ‘’Geração X’’.

Nas conversas surgem assuntos poucos discutidos até então: crises pessoais, a condição de se ter subemprego para subsistência, o deslocamento a procura de novas oportunidades para os grandes centros urbanos.

Surge um novo discurso sobre a busca da felicidade própria nos relacionamentos, no trabalho e pela primeira vez mostra a individualidade, a personalidade desvinculada da família.

Para os olhos mais atentos, surge ali vários indícios de um novo formato social acontecendo.
E para pôr a cereja no bolo, todo este cenário acontece, sem a influência da revolução tecnológica da internet e dos celulares ultra turbinados, que viria a dominar o padrão de comportamento, em nível global, alguns anos depois.

Quem poderia imaginar que uma série de TV fosse capaz de retratar as mudanças no quadro social de uma década?! Incrível…

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