“Desafio ao Galo”, futebol raiz

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NLC – 24/06/2020

 

Vídeo histórico está disponível em www.miltonneves.com.br na seção “que fim levou?”: na relação nominal clicando em Tony Lourenço, há os melhores momentos de Estrela do Sul (da Capital) 2×2 Sítio Novo (de São José do Rio Pardo/SP) na década de 1980 pelo “Desafio ao Galo”.

O Sítio Novo foi eliminado nos pênaltis, em jogo onde no tempo normal o goleiro Chiquinho da Pata do time rio-pardense marcou um “gol de goleiro” com a bola rolando. Ex-âncora da bancada do “Jornal do SBT”, Joseval Peixoto foi o narrador da partida, onde o time de São José do Rio Pardo/SP jogou com Chiquinho da Pata, Márcio, Marquinhos Seixas, Nei Ribeiro e Lê; Marcelo, Agnaldo e Bernine; Marquinhos Trevisan, Caconde (Magiclick) e Cambuim.

Além da oportunidade para jovens que sonhavam com o profissionalismo, durante seus 24 anos de existência o saudoso “Desafio ao Galo” revelou craques do microfone como Faustão e Tiago Leifert, além de atletas como Cafu, César Sampaio, Viola, Casagrande, Denílson, Juninho Paulista e tantos outros. Nos primeiros anos esta competição acontecia no estádio da Rua Javari, do Juventus no bairro da Mooca, posteriormente nos campos dos clubes União dos Operários no bairro de Vila Maria e no CMTC do bairro Pari, ambos também na Grande São Paulo.

O certame também resgatou ex-jogadores que se aposentaram ou tiveram carreiras interrompidas por lesões. No “Desafio ao Galo” jogaram Serginho Chulapa (ex-Santos, São Paulo e Seleção Brasileira), Murici Ramalho e Valdir Perez (ex-São Paulo), Neto e Wladimir (ex-Corinthians), Gerson Caçapa e Edu Bala (ex-Palmeiras) e Paulo César Caju (ex-Botafogo e Seleção), dentre vários outros.

O “Desafio ao Galo” é parte fundamental da história do futebol amador no estado de São Paulo. O estilo irreverente e competitivo do campeonato logo caiu no gosto dos telespectadores e da torcida, que lotava as arquibancadas do estádio. Caravanas eram formadas por dezenas de ônibus e rumaram para apoiar seus times. A competição tinha algumas peculiaridades, a começar pelo nome, que vem de uma expressão derivada do boxe: para se manter no posto de “galo”, o time precisava a cada nova partida ganhar do adversário, pois, em caso de derrota, o novo vencedor é que começava a ser desafiado.

Criado pela TV Record em 1972, o “Desafio ao Galo” foi atração ao vivo nas manhãs de domingo por cerca de duas décadas. A ideia era difundir o futebol varzeano, criando um campeonato televisionado em que times formados em bairros ou até em empresas pudessem competir entre si e até revelar craques que poderiam estar escondidos nas agremiações amadoras. Foi extinto em 1996 e em 2019 o torneio varzeano voltou a entrar em cena na TV Gazeta, mas não vingou com o mesmo charme das décadas passadas.

 

Em meio aos eucaliptos, a simplória cabine que a TV Record utilizava para transmitir os jogos no estádio CMTC Clube, na zona norte de São Paulo/SP

 

O narrador Joseval Peixoto com o convidado (comentarista) Tony Lourenço
Fausto Silva, o Faustão da TV Globo, durante transmissão do “Desafio ao Galo”
Em 1981, o rio-pardense Luís Fernando Abichabki (em pé, o segundo da esquerda para a direita) sagrou-se campeão do torneio, quando ainda estava em testes no Guarani de Campinas antes de ser contratado profissionalmente pelo Corinthians

 

Década de 1980, auge do “Desafio ao Galo”, com arquibancadas lotadas, banco de reservas sem proteção do sol e chuva (um simples banco de madeira) e ao fundo o policiamento

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