Responsabilidade do professor na educação de seus alunos

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livro Deficiências e Propensões do Ser Humano

A timidez reflete um estado de abatimento do ânimo que inibe o ser em seu trato com os outros, prejudicando quase sempre o valor das próprias aptidões, que ficam diminuídas e até negadas pela coibição que ele experimenta tanto ao falar como ao atuar.
O complexo psicológico da pessoa escravizada por esta falha está demarcado pelo efeito sugestionante e atormentador que o olhar alheio produz sobre seu ânimo, efeito que se traduz em temor ao fracasso, ao ridículo, ao desacerto; temor de não saber expressar com exatidão aquilo que pensa ou sente, no qual toma parte muito ativa a subestimação de si mesma e o escasso mérito que atribui a suas ideias e qualidades, em contraste com o valor excessivo que concede às alheias.
É na infância e na adolescência que pais e professores devem combater os sintomas desse complexo de temor, vergonha e covardia, que é a timidez, ou impe¬dir seu aparecimento.

Quantos sofrimentos poderiam ser evitados ao ser,
se ele fosse liberado a tempo de semelhante opressão!

Qualquer criança normalmente dotada pode contrair este defeito, se for submetida a um trato repressivo que tolha sua espontaneidade, e se não lhe for dado o apoio de que necessita para crescer livre de temores, confiante em suas forças e na capacidade que desenvolva. Mas a acanhada por natureza, a criança tímida, seguramente terá seu mal agravado se procederem inadequadamente com ela. Cortar-lhe com rispidez o uso da palavra; envergonhá-la ou confundi-la, caçoando de seus ditos ou argumentações; privá-la do exercício saudável que a convivência com seus semelhantes implica; menosprezar suas iniciativas, desejos ou decisões, em vez de alentá-las conforme convenha à anulação de seu defeito, tudo isso são partes de uma conduta que aumentará a coibição que a retrai, e que está negando à sua natureza o prazer de manifestar-se livremente.

A timidez, que com frequência assume característica de complexo de inferioridade, é consequência da falta de confiança em si mesmo.

Sabemos que quem padece seus prejudiciais efeitos é com frequência avassalado pelo temor, que o torna inseguro, o envergonha e confunde. Nada mais aconselhável, então, que bloquear o defeito com pensamentos de entusiasmo, otimismo e coragem, para poder, assim, dominar a articulação dos impulsos internos com vistas à sua total normalização.

Quem quiser escapar do domínio da timidez deverá fazer da resolução seu ponto forte e, tantas vezes quantas forem necessárias, repetirá mentalmente para si mesmo que deve ser valente, que nada deve temer, procurando, é claro, manter-se em consonância com o que pensa.

Texto extraído do livro Deficiências e Propensões do Ser Humano, pág. 72

 

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