O ENCONTRO

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Encontrei eu, outro dia,
com meu eu
que vinha
todo contente
sempre na mente:
cantou uma canção

Olhei p´ra mim
e que susto ao ver
que o bicho sorria
e eu que me via
sem saber
que esse eu tão doentio
tão estranho, tão sombrio
era só eu

Mas eu brigou comigo
e num gesto hostil
me deu um tapa
com palavra amarga,
fel, brasa,
então saí correndo
e onde ia
o eu me perseguia

Fiquei assustada
com medo de (me) ver de novo
aquele bicho horroroso
que me sufocava,
me aterrorizava,
me fazia
ver o que eu não via
e foi só então
que entendi:
não adianta fugir,
o escroto do esgoto
que vive dentro de mim
é o meu eu
que não quer ficar calado,
já foi violentado,
que me assusta
e me mata,
maltrata,
é o que nunca foi visto
pelos olhos que não quer ver,
a vontade de entender
que o eu que eu fugia
era o que me perseguia,
o verme do escremento,
o eu subjetivo,
o eu nojento.

Carol Ortiz – acessem a página https://www.escritas.org/pt/n/l/carol-ortiz para mais poesias e o youtube https://www.youtube.com/channel/UCOj_DssoWp0_1HO7VCXgRcA para mais livros.

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