A SUTILEZA DE QUINCAS BORBA

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A SUTILEZA DE QUINCAS BORBA

Carolina Vital Ortiz

Um dos mais divertidos, agradáveis e interessantes livro do maior escritor brasileiro foi publicado e 1891 em formato de folhetim. Quincas Borba pertence à uma trilogia realista do autor que é composta por Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro.

Pedro Rubião de Alvarenga, inicialmente um professor primário e amigo do milionário Quincas Borba, se vê rico quando este morre e lhe deixa toda a herança e o cachorro (que também recebe o nome de Quincas Borba). Então, Rubião e Quincas (o cão) mudam-se do interior de Minas Gerais para a Corte no Rio de Janeiro e conhecem o casal Sofia e Cristiano de Almeida e Palha (os vilões da história), tornando-se amigos inseparáveis. Está formado ciclo de personagens da obra: Cristiano e Sofia, interesseiros, sugam a essência material e imaterial do amigo que, quanto mais pobre fica, mais demente vai se transformando até encontrar a morte na miséria, solidão e loucura.

Li essa narrativa há muitos anos e lembro-me do quão delicioso e agradável foi. Há momentos hilários e momentos que nos apiedamos da ingenuidade do protagonista. É, realmente, imperdível.

No capítulo seis do romance está presente a famosa expressão “ao vencedor as batatas” (ouvia muito quando criança) e o conceito filosófico fictício do Humanitismo, criado por Joaquim Borba dos Santos, ou Quincas. A teoria tem como base a noção de que a guerra seria uma forma de seleção natural.

“Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.”
Há adaptações do livro para o cinema e até onde sei, a primeira foi realizada em 1987 pelo diretor Roberto Santos. Não assisti ao filme, entretanto, sou fã do livro. Leiam.

Abaixo, meu canal no Youtube:

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