QUANDO A POESIA NARRA A HISTÓRIA DE UM ASSASSINO: O PERFUME

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QUANDO A POESIA NARRA A HISTÓRIA DE UM ASSASSINO: O PERFUME

Carolina Vital Ortiz

  O que define um grande livro? A fluidez, a beleza, as metáforas, o charme, a provocação? Se for essa a regra, pode-se afirmar que Patrick Suskind acertou no alvo e confeccionou uma bela e única obra literária.

  A história: França, século XVIII e no meio da imundície de um mercado de peixes, rodeado por uma multidão pútrida, nasce Jean-Baptiste Grenouille. Como um animal selvagem rejeitado, porém belo, descobre que não possui cheiro algum. Entretanto, ironicamente é dono do olfato mais apurado que alguma pessoa já teve. É daí que nasce sua obsessão na busca da essência perfeita: o olor que só um corpo humano pode exalar. Como roubar um aroma sem matar?

  Suskind se distancia enormemente do universo gore de outros serial killers da literatura. Ao invés de cenas grotescas e sanguinolentas, ele apresenta um personagem delicado, criativo, poético, belo, completamente maluco e estranhamente incapaz de despertar empatia no leitor, mas é essa sutileza e estranheza que embelezam e provocam um grande prazer na leitura. Um misto de beleza e macabro se equilibrando nas narrativas metafóricas e profundas.

  Uma das partes que mais me encantaram foi a fuga de Grenouille para as montanhas. Distante de todo o assustador universo humano, o assassino tem um dos pensamentos e entendimentos, chegando a ser um insight freudiano.

  Existe o filme que, embora seja inferior ao livro, é belo e consegue, deliciosamente, entreter o público.

  Abaixo, deixo meu canal no youtube. Assistam e leiam. Até a próxima!

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