Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva

0
190

A mocidade dos anos 80 ainda sofria com as feridas abertas durante a ditadura. Geração de filhos sem pais, de paradeiro desconhecido de familiares, do medo e da rebeldia ainda entravados na alma.

Marcelo Rubens Paiva publicou a primeira edição de Feliz Ano Velho em 1982 e esta obra se tornou uma grande referência na literatura brasileira contemporânea.

Ele, que é filho de um ex-deputado federal – Rubens Paiva – desaparecido nos tempos de ditadura militar quando tinha 11 anos, se viu novamente surpreendido pelo movimento da vida: enfrenta um grave acidente e suas consequências.

O livro é uma narrativa verdadeira do momento que o deixou tetraplégico quando, estudante da UNICAMP, deu um mergulho no destino e mudou seus sonhos e planos. O romance autobiográfico conta um pouco sobre sua vida antes e após o ocorrido: um jovem paulista de classe média-alta, com muitas namoradas e muitos sonhos cortados no início de sua vida. Hospital, cirurgias, hospital, solidão, mais cirurgias, mais hospital, visitas em excesso, dores, desafios enormes como o simples fato de coçar o nariz, enfim, toda a trajetória de um jovem que se vê impotente diante dos acontecimentos e que aprende a lidar com a dependência da ajuda de amigos e família para recomeçar a viver. Conforme o próprio autor cita, esta é a sua obra mais visceral, em que confere à narrativa a mesma energia e o mesmo fôlego com que transpôs a armadilha do destino. Um livro que, sem dúvidas, fala a linguagem das ruas.

Apesar do tema trágico, Feliz Ano Velho tem momentos de humor, ternura e erotismo. Marcelo procura mostrar o sentimento amoroso pelas pessoas que o rodeiam, principalmente a mãe. Também salienta a camaradagem e encorajamento da turma, as festas e as fantasias sexuais.

Leitura deliciosa e imperdível.

Leiam e assistam ao meu canal no youtube.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here