MACBETH, a trama mais sombria de Shakespeare

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Olá, leitores! Último artigo de 2018 e, aproveitando o clima de comoção, falo de um livro que, de longe, é o mais sombrio e interessante de Shakespeare. Adianto que ler as obras shakespearianas não são fáceis. Vocabulário diferente, figuras conspiratórias e o retrato de uma época em que tudo era mais lento e intenso.

A obra escolhida hoje é a maravilhosa peça Macbeth. Uma tenebrosa trama em que somos convidados a refletir aspectos sombrios e atemporais do comportamento humano. Estão em jogo a ganância, a traição e a culpa, o tripé desse drama.

A história acontece na Escócia do século XI, lugar em que o general Macbeth e seu colega Banquo, enquanto retornam vitoriosos de uma batalha, encontram três bruxas que fazem uma profecia afirmando que Macbeth se tornará barão e rei e os filhos de Banquo serão os próximos soberanos.

Desse marcante episódio, o enredo se desenvolve envolvendo novos personagens. A figura mais ardilosa, ambiciosa e perversa é, sem dúvidas, Lady Macbeth que, com suas mãos, é capaz de manipular, chantagear e matar se assim for necessário. Tudo em nome da ganância e do poder.

Shakespeare é famoso por levantar dilemas morais e éticos em suas obras e, com isso, construir um labirinto de dúvidas em que seus personagens vão adentrando e aprofundando, ficando cada vez mais presos e perdidos. Assim como o labirinto do Minotauro, seus personagens vão sempre além e se perdem na ambígua natureza humana.

Macbeth vai, no decorrer da trama, se tornando insensível e capaz de sujar suas mãos de sangue para conseguir o que almeja, enquanto Lady Macbeth conhece a culpa e sofre com isso.

Por que ler essa obra? Além de ser um marco na literatura mundial, escrita pelo maior nome das Letras, há uma grande beleza e questionamento filosófico e ético, em que a ideia de determinismo e livre-arbítrio estão constantemente presentes.

A peça ganhou mais de 50 adaptações para o cinema e frequentemente é encenada no teatro. Quatro filmes devem ser vistos, com certeza: a montagem de Orson Welles, de 1948, a do japonês Akira Kurosawa, de 1957, a do polonês Roman Polanski, de 1971 e a do australiano Justin Kurzel, mais recente, de 2015.

Leiam, assistam e curtam meu canal. Feliz 2019 e até semana que vem!

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