Sexo e outras coisinhas

0
355

Olá, leitores! Como sempre ocorre nessa coluna em que o nonsense corre solto, optei por comentar sobre um assunto incômodo para muita gente (e, sinceramente, não sei o porquê): s-e-x-o! Isso mesmo, sexo no reino animal (o que implica minha casa, sua casa e o ninho de qualquer outro ser vivo).

Já parou para pensar por qual motivo você é você? Se respondeu “sou assim devido à minha carga genética”, muito bem! E como conseguimos esses genes? Sim, meu caro, pela noite de sexo entre papai e mamãe (claro, pode ter ocorrido uma fertilização in vitro, mas geralmente, o sexo acontece). E o que é isso?

Não, não vou dar a antiga aula em que o papai deposita uma sementinha no terreno fértil da mamãe, mas vou voltar no tempo e visitar nossos amigos primatas (é, eu os amo). Na época em que nossos ancestrais se locomoviam com quatro membros, a posição quadrúpede facilitava muito a procriação. O esperma do macho era depositado com precisão na entrada do útero da fêmea. Entretanto, a facilidade em enxergar o inimigo em outra posição alterou a natureza e passamos a andar sobre duas pernas. Adivinhem o que ocorria? Sim, após o ato sexual, a fêmea se levantava e o produto da ejaculação era desperdiçado, fluindo à favor da gravidade. Isso favoreceu a seleção natural e as fêmeas com órgãos sexuais mais profundos sobreviveram, porque eram as únicas que conseguiam emprenhar e, consequentemente, passar seus traços físicos adiante.

Esse é só um pequeno exemplo de como parte da evolução do nosso corpo está ligado à teoria da seleção natural. Há um outro exemplo que também é muito curioso: um zoólogo britânico tem uma teoria bem diferente para a atração dos meninos pelo seio da mulher. Segundo ele, as mamas da mulher (aliás, a fêmea humana é a única que possui mamas protuberantes durante quase a vida toda) tem uma função sexual gigante e importante para o acasalamento. Observando alguns grupos primatas, ele reparou que as fêmeas emitem sinais eróticos com o traseiro, o que deixa os macacos enlouquecidamente excitados. Porém, nós humanas caminhamos eretas e é inviável ficar de bumbum pro alto toda vez que queremos seduzir. Como consequência, carregamos falsas nádegas na parte superior frontal do corpo e assim, bem, dessa forma, bem (estou encabulada), vocês rapazes sabem o que quero dizer.

E sobre a reprodução? Para nossa espécie é preciso o ato sexual, mas na natureza existem fantásticos seres que se reproduzem sozinhos! A água-viva, enquanto medusa, se reproduz sexuadamente e, enquanto pólipo, assexuadamente.

Esse pensamento nos leva à outra definição: o sexo biológico e o gênero. Como vimos, sexo biológico é a presença física do sexo masculino e do sexo feminino (há seres incríveis que possuem os dois – são os hermafroditas). E gênero? Gênero é uma questão puramente subjetiva porque é a forma como a pessoa se sente e se identifica. Há muitas mulheres que possuem o sexo masculino e muitos homens com o sexo feminino.

Alguns devem estar horrorizados e para acalmá-los, vou dizer que isso ocorre em todo o reino animal, desde que o mundo existe e, infelizmente para nós, as coisas entre os outros seres são muito mais serenas e saudáveis porque ninguém julga ninguém.

As girafas, por exemplo. Nove entre cada dez casais são formados por dois machos. O galo-da-serra, típico do norte do Brasil, apresenta uma estimativa de 40% de machos que se interessam por outros machos. O leão tem práticas bissexuais recorrente. Os pinguins, famosas figuras de desenhos da Pixar, são animais fieis e dificilmente tem mais de um parceiro durante toda a vida. Pasmem! Grande parte dos casais são formados por indivíduos do mesmo sexo (inclusive, há uma história engraçada de um casal de dois machos que, criados em cativeiro, roubaram o ovo de outro casal heteroafetivo e colocaram pedras no local do ninho). A baleia-cinzenta, o chimpanzé, besouros, e tantos outros, vivem suas vidas em paz escolhendo o parceiro que lhes convém sem que ninguém fique apontando o dedo e dizendo: ‘que coisa feia, menino!”. Por que somos tão desnecessariamente dramáticos?

Enfim, uma coisa é certa, espero poder estar semana que vem com vocês novamente. Até a próxima.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here