Língua, origens, viagens…

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Olá, leitores! Vamos tentar abordar coisas novas hoje? Falamos de livros, comportamentos, curiosidades de nossos genes e outros tipos de bate-papos. Na coluna dessa semana quero falar sobre a língua. Não a anatomia do órgão humano, mas sim a forma como nos comunicamos. A língua, uma das formas de linguagem, pode ser oral ou gestual e é diferente em cada região do planeta, passando a ser mais parecida, ou não, uma com a outra, dependendo da raiz/origem do idioma falado. Nosso português brasileiro, com raízes latina, é uma língua difícil e com um som bastante peculiar. Sobre esse fato, me lembro uma vez em que, morando temporariamente na África do Sul, senti aquela saudade monstra de pronunciar e ouvir o bom e velho familiar som do Brasil. Por sorte, conheci um conterrâneo e marquei de encontra-lo num pub para poder falar um pouco na nossa língua. Sentados nesse barzinho, conversamos e rimos muito ao som de palavras como “casa”, “sorvete”, “viagem” (a sensação era de que esses sons estavam “quebrando” a tristeza de estar distante de casa). O interessante foi que, na mesa ao lado, as pessoas pararam de conversar para prestar atenção no que nós, os gringos, estávamos falando. Um moço, entretanto, não conteve a curiosidade e me perguntou de onde éramos e qual idioma falávamos e, no final, ele completou: “it sounds like you are singing!” – parece que vocês estão cantando!

Retomando, alguém já se perguntou de onde vem certas palavras? Trouxe, abaixo, uma lista de curiosidades para vocês (lembrando que tudo muda, inclusive nossa língua). Evocando Saussure, grande linguista: “O tempo altera todas as coisas; não há razão para que a língua escape dessa lei universal”.

Arena – do latim, a palavra vem de harena, isto é, areia, referindo-se aos locais onde os jogos romanos aconteciam.

Avião – de origem latina, foi usada pela primeira vez bem antes da existência do próprio. Avis é a ave, e em francês passou a ser Avion. Foi usada em 1875 para nomear um aparelho que esperavam que voasse mas não houve êxito.

Azaleia (flor) – originada do grego, é um nome feminino e tem o sentido de árido, seco, ressecado. Por esse motivo, essa planta recebe o nome de “flor que nasce da terra seca”.

Besta – deriva do latim bestia e significa “fera” ou “animal” que carrega cargas pesadas. Passou a ser utilizada para classificar qualquer quadrúpede.

Beterraba – deriva do francês “Betterrave”, junção dos termos latinos betta (planta de horta) e rapa (nabo). Em outras palavras, é um nabo que nasce na horta caseira.

Brechó – palavra brasileira. No século XIX, um mascate chamado Belchior ficou conhecido no Rio de Janeiro por vender roupas e objetos de segunda mão. O sucesso foi tão grande que muitos passaram a imitá-lo e os locais onde esse comércio acontecia passou a ser reconhecido como brechó.

Cachorro – vem do Latim catulus, depois de passar pelo Basco, que lhe mudou o final para ‘orro’. Em Roma, cachorro era sinônimo de filhote de qualquer animal e, a rigot, pode ser usado para todos os filhotes mamíferos, o que implica na possibilidade em dizer cachorro de macaco, cachorro de leão, cachorro de vaca, cachorro de tamanduá, etc.

Camelô –  originada do francês ‘camelot’, que por sua vez se originou do árabe ‘khamlat’, era o nome dos tecidos comercializados nas grandes feiras livres do Oriente.

Cirurgia – originária do latim chirurgia, é formada pelas palavras gregas ‘kheirós’ (mão) e ‘érgon’ (obra, trabalho). Dessa forma, seu significado é trabalho manual, uma obra feita com as mãos.

Da Silva – um sobrenome muito comum que se originou a partir do latim ‘silva’ (floresta, mata ou selva) e foi utilizado por pessoas que recomeçaram a vida no Brasil no anonimato.

Digital –  derivada de digitus, do latim, o real significado é dedo. Os dedos sempre foram ferramentas para o processo de contagem e por causa dessa característica, essa palavra é usada para qualquer objeto que trabalha com valores discretos.

Gari – palavra exclusivamente brasileira, nascida no Rio de Janeiro. Aleixo Gary foi o proprietário de uma empresa que faia a limpeza das ruas da capital brasileira do século XIX e, desde então, todos seus funcionários passaram a se chamar Garis.

Gato – originada do latim, ‘cattu’ era o nome que os romanos utilizavam para apelidar os felinos após a domesticação.

Morcego – do latim ‘mur’ (rato) e ‘caecus’ (aquele que não vê), o morcego é um “rato cego”.

Omelete – do francês omelete, isto é, fritada de ovos. É uma “transformação” de alumelle ou alumette (navalha, lâmina arredondada de algumas armas). O alimento recebeu esse nome devido ao seu formato e espessura: geralmente redonda e fina.

Paixão-  palavra latina ‘patior’, o que significa ‘suportar’ ou ‘sofrer’.

Paquerar – o termo surgiu de ‘pacas, o paqueiro’, isto é, um caçador de pacas que, para caçá-las, paquerava o animal, ou seja, observava de longe até o momento certo de captura-las.

Tabu – James Cook, navegador do século XVIII, foi o primeiro ocidental a usar essa palavra nascida na Polinésia, cujo significado é “coisa proibida”. Dizem que ele entrou em contato com esse idioma em uma de suas viagens exploratórias e, desde então, ta´bu passou a fazer parte do vocabulário europeu.

Testículos – originária do latim, tem o significado de testemunha, isto é, são partes que testemunham, atestam a virilidade de um homem ou até de um ato sexual.

Xerox – não é um sobrenome, como a maioria pensa. Xerox é uma palavra derivada do grego kserós e significa “seco”. Isto porque, foi o primeiro processo fotográfico em que não era utilizado líquidos de revelação.           

E então, alguma novidade na coluna de hoje? Espero que tenham gostado e até a próxima semana.

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