Intolerância

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Olá, leitores! Mais uma vez estamos aqui falando de tudo e de nada ao mesmo tempo. Comecei escrevendo a coluna de hoje com o propósito de falar sobre literatura, entretanto, uma coisa me chamou a atenção durante essa semana e me incomodou muito: a falta de intolerância nas redes sociais. Sim, esse é um tema completamente batido, todo mundo fala e aponta e, talvez eu esteja sendo redundante quando tento novamente comentar sobre o mesmo ponto. Mas, preciso falar! Entendam como um desabafo.

Semana passada o candidato à presidência, Jair Bolsonaro, foi esfaqueado. Todos sabem e não há nada de novo a acrescentar. Acontece que tive a estúpida ideia de escrever no meu perfil que para mim (e isso é completamente subjetivo, não busco aprovação ou desaprovação de ninguém), o que aconteceu era bem previsível porque qualquer pessoa que se arma de um discurso intolerante e radical (e aqui afirmo que ele mesmo dizia “tal situação é intolerável e vou radicalizar para mudar isso” – novamente falo: isso são palavras dele e nem estou me referindo à essa ou aquela situação) está se expondo ao público e dentro desse mesmo público existem pessoas de todas as formas e maneiras de pensar. Disse, na minha página: “violência (e pode ser de qualquer forma) gera violência”, só isso.

Acontece que choveu um monte de comentários – inclusive no meu número particular de whatssap – de pessoas me chamando de comunista, petralha, com visão distorcida do mundo, dizendo que eu defendo bandido, assassino, etc. Essas questões, na verdade, não me dizem nada, nada fizeram sentido para mim, pois sou apartidária, não votarei (e isso tenho certeza!), não quero participar dessa comunhão de fanáticos e assim vai. Entretanto, algo me incomodou muito e acionou o botão vermelho de perigo: a intolerância, a falta de vontade de entender a fala do outro, a vontade de vomitar uma ira que não consigo entender de onde vem. O que está acontecendo com o mundo? Por que todo mundo tem que dizer algo e transformar um ponto quase insignificante (meu post, por exemplo, era para ficar lá, quietinho, sem causar transtorno porque não foi escrito para ninguém em especial e também não foi intencional agredir quem quer que tenha se sentido agredido) em um alvo para a guerra? De onde vem tanta raiva? Tanta vontade de impor vontades?

Confesso que, para a maioria dos comentários, eu me calei pelo cansaço. Novamente expliquei que minha fala não era para justificar um ato de tentativa de homicídio ou para defender ideias políticas. Simplesmente que somos responsáveis por nossos atos e devemos saber que as consequências são obvias (como aprendi com essa experiência: nunca mais devo escrever sobre heróis populares porque corro o risco de ser linchada).

Em suma (até gostaria de escrever mais, mas o espaço é curto), parem para pensar antes de agredir. Vejo uma humanidade muito impulsiva, irreflexiva e assustadoramente agressiva. Pessoas, vamos nos armar contra a ideologia dos discursos dominantes e não uns contra os outros. O mundo precisa de mais amor.

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