O Amante de Lady Chatterley – uma visão do “poliamor” no início do século XX

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Olá, leitores! Falaremos, hoje, sobre um grande livro polêmico escrito no início do século XX. D.H.Lawrence produziu essa obra em meados dos anos 20 e, desde sempre, foi um livro recheado de polêmicas. Suas cenas de sexo e uso de vocabulário “pesado” censuraram a história, o que fez com que seu lançamento oficial ocorresse somente em 1960 (época em que a sociedade estava menos fechada ao puritanismo).

O cenário é o lar da família Chatterley. Constance e Clifford são casados e, após um acidente de guerra, o marido retorna paraplégico para casa. O casal, rico e com um alto grau de instrução, vive uma vida confortável e Constance, embora tenha todas as desavenças a seu favor, nunca abandonou Clifford.

Um terceiro personagem aparece e rouba a cena quando a moça se interessa por ele. Oliver, empregado da fazenda, e Constance vivem um tórrido caso de amor e sexo. É este o ponto que chocou a época. Além de descrever as cenas de sexo, D.H.Lawrence ousou a insinuar os protótipos de uma história de amor fora dos padrões sociais: o possível primeiro caso de poliamor na literatura. Clifford ama Constance, permanece casado, é bem provável que saiba do relacionamento dela e aceite, sabe que a incapacidade de manter uma relação sexual com ela a deixa frustrada, se dedica ao conforto da esposa e leva sua vida sem maiores problemas. Constance ama Clifford, o marido, cuida e o ajuda em todas as suas dificuldades, é uma mulher presente e mantém o casamento, entretanto, ela também ama Oliver, o amante, com quem se sente viva e “vadiamente” amada. Oliver sabe que Constance e Clifford são um casal e, mesmo sendo o terceiro na história, respeita o sentimento de todos. Há um acordo implícito entre as partes e a busca da felicidade sem julgamentos e hipocrisias, o que faz do livro uma obra fascinante. (há algumas reviravoltas, mas deixo para o leitor descobrir).

A curiosa consequência da publicação do livro foi que a sociedade da época se chocou com tanta violência moral aos padrões éticos da época. “Como seres humanos conseguem viver num mundo tão pervertido? “ – essa era a indignação. Entretanto, Lawrence abordou um assunto muito mais cruel e injusto nessa mesma obra: as diferenças de classes sociais e seus benefícios. Muito mais obsceno é saber que uma pessoa vive na miséria enquanto poucos se beneficiam com o excesso, do que saber que um tórrido caso de amor sexual pode ser exibido como uma poesia, mas poucos perceberam esse escândalo na história.

Muito aprendeu naquela breve noite de Verão. Teria pensado que uma mulher morreria de vergonha. Em vez disso, a vergonha morreu. A vergonha que é medo: a funda vergonha orgânica, o velho, o velho medo físico que reside agachado nas raízes do corpo que é nosso, e só o fogo sensual pode afugentar, finalmente desperto e destroçado pela investida fálica do homem, levando-a a ir até ao coração da sua própria selva….Uma mulher tem de viver a sua vida, ou vivê-la a arrepender-se de não a ter vivido.

Leiam e tirem suas conclusões.

Abaixo, meu canal do youtube com o vídeo do livro.

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