TRIGGER WARNING DE STEPHEN KING DENUNCIA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

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Stephen King, autor de livros como “O Iluminado”, “Carrie, a estranha”, “Cemitério Maldito” e “It”, entre outros, é considerado o atual pai do terror. Confesso que tenho um pouco de receio com suas obras. Gosto da sua escrita (nada de fenomenal, mas provoca prazer), embora algumas vezes considero sua imaginação muito extrapolada e fora das expectativas. Entretanto, volto a dizer que há obras que surpreendem e encantam (leia O Iluminado).

Rose Madder, ou Rose mais louca em uma tradução literal, é um livro diferente porque aborda a violência doméstica e o mundo machista em que a mulher é um objeto possuído e tristemente dominado. A história é ambientada nos anos 80/90 e, longe da existência de leis como ‘Maria da Penha’, Rose recorre ao seu poder interior e ao sobrenatural para conseguir superar esse universo violento. Uma simples gota de sangue encontrada no travesseiro foi o suficiente para o despertar de uma nova mulher.

O que mais encanta nessa obra lançada em 1995, é a capacidade de, infelizmente, ser atual e realista: quantas mulheres ainda são prisioneiras de seus maridos e com medo, humilhadas, sem auto estima para reagir, sucumbem à essa dolorosa rotina e morrem injustamente, sem entrar para as estatísticas de homicídio porque nossa sociedade ainda enxerga certas situações como normais.

O propósito dessa história é denunciar e provocar reflexão sobre o absurdo que banalizamos. A cada minuto situações como essa ocorrem e muitos julgam que a vítima é a coautora de casos assim.

Quanto ao livro: é emocionante reparar como Rosie consegue sair desse círculo de desgraças e recuperar sua vida, seu amor próprio, reconquistar seus sonhos, desejos e ser mulher novamente. Enquanto lemos, é impossível não sentir a insegurança de cair em uma armadilha dessas uma vez na vida e de não refletir nas mulheres que, fora do universo de Stephen King, não tem uma feiticeira, nem uma força sobrenatural para defende-las. Pelo contrário, dependem de um sistema judiciário lento e, na maioria dos casos, constituído por homens, dependem de uma sociedade muitas vezes hipócrita e dependem da coragem suficiente para se levantar e gritar a plenos pulmões “Eu ainda estou viva!”.

Leitura mais que indicada. Abaixo, vídeo do meu canal sobre o livro. Leiam, assistam, “culturem-se”! O que importa é pensar. Até o próximo artigo.

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