Para gente muito curiosa SÓ EM PORTUGUÊS

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1817

José Augusto:
Pensando nas suas perguntas, seleciono cinco das particularidades de nossa última flor do Lácio, inculta e bela.
São os tais idiomatismos:
1. Infinitivo pessoal.
Só a língua portuguesa tem isso.
Amar eu, amares tu, amarmos nós, etc.
Uma frase como “É bom estar aqui” faz uso do infinitivo impessoal, ou seja, não se sabe quem deve estar. Já em “É bom estarmos aqui”, sem dúvida o sujeito é nós. O infinitivo pessoal esclarece a frase.
O assunto é muito complicado. Os primeiros estudiosos a tentar formular regras para seu uso foram o alemão Freidrich Diez e o português Soares Barbosa. Não conseguiram cercar o assunto.
Escrever sobre o uso do infinitivo é tarefa para muitos autores e muitos livros.
2. Futuro do subjuntivo.
Apenas o português tem essa forma verbal. Nos verbos regulares, o futuro do subjuntivo (conjugado com as conjunções se e quando) é igual ao infinitivo impessoal (nome do verbo); nos irregulares, deriva-se da 3.ª pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo, menos o AM: se eu puder, se eu for, quando ele fizer.
3. Mesóclise.
É aquele tipo de sanduíche de verbo e pronome oblíquo, com pão dos dois lados e o salame no meio, quando o verbo está no futuro do presente e no futuro do pretérito: Dar-lhe-ei, far-se-ia, trar-nos-ão. Brasileiro não usa isso nem obrigado. Coloca pronome antes do verbo, e tudo bem!
4. Ditongo ão.
É comum que estrangeiros radicados por mais de meio século no Brasil ainda não pronunciem esse /ão/. Dizem algo parecido com /om/, /on/: macarron, violon.
Curaçau, nome de ilha holandesa do Caribe, é bom exemplo dessa dificuldade.
O nome original é o termo português curação (ato de curar).
Conta Érico Veríssimo que, nas guerras entre portugueses e espanhóis, no sul do continente, quando se tinha dúvida se alguém era mesmo brasileiro, mandava-se pronunciar religião. Além das diferenças de pronúncia dos sons do r, l e g, se não proferisse direitinho o ditongo /ão/, não era brasileiro.
5. Saudade.
Parece que nenhuma língua tem a palavra exata para traduzir esse profundo sentimento. O francês souvenir, o espanhol recuerdo, o inglês longing, o italiano ricordo estão longe de expressar a nossa saudade, do latim solitate, através das formas arcaicas soidade e suidade.
AQUI ESTÁ O MENINO QUE O PAI DELE MORREU
Que frase mais estropiada, Carlos Henrique!
Melhor seria: Aqui está o menino cujo pai morreu.

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