Simplicidade e realidade

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Você está contente com o aspecto das coisas públicas que vê?
Seus direitos de pedestre estão sendo respeitados pelos motoristas, pelos responsáveis pela conservação das calçadas, pelos que constroem ou reformam?
As ruas e praças estão limpas, sem obstáculos ou armadilhas para pessoas de mais idade?
Você tem coragem de sentar-se à noite num banco da praça central?
Os limites de poluição sonora e visual são observados, respeitados sempre e por todos?
Sua rua tem água sempre? A iluminação pública é levada a sério? O cidadão comum tem onde praticar o seu lazer?
Questões de educação e cultura são consideradas prioridades?
Muito provavelmente a maioria de suas respostas serão negativas em qualquer cidade brasileira. No entanto, tudo aqui referido tem previsão nas leis, nos códigos, nas posturas. Experimente, no entanto, andar por aí na simples condição de pedestre. Cuidado com a calçada esburacada! Tome tento com o galho de árvore que pode arranhar-lhe o rosto. Defronte à casa em reforma o tapume avança demasiado pelo passeio, só lhe dando uns vinte centímetros para você passar? Além do mais, uma caçamba lhe torna impossível caminhar nessa nesga de passeio, jogando-o para o meio da rua, sujeito à indelicadeza e afoiteza de motoristas?
Como se vê, tanto aos prefeitos quanto aos vereadores não faltarão oportunidades de tornar a vida de todos os cidadãos mais segura, mais proveitosa.
Se o prefeito de sua cidade conseguir realizar o orçamento, ante a ameaça de calote público generalizado; se o funcionalismo não se sentir lesado com a miséria dos vencimentos, se as pequenas questões de conforto, respeito, segurança, atenção para com todos forem satisfatoriamente resolvidas, já estará muito bom.
Afinal, prefeito tem de se preocupar com essas insignificâncias que fazem toda a diferença no dia a dia de milhares de munícipes. Administrar pequenas cidades tem muito de serviço doméstico: só aparece quando não é feito ou feito mal.
Vereadores têm de ficar de olho no bueiro entupido, na lâmpada queimada, no cano vazando, na briga de vizinhos, na creche sem leite, na escola sem merenda, no ônibus sem segurança. Não será demasiado lembrar que o cumprimento dessas pequenas obrigações é que torna justificável a função de verear e produtiva a vida de pequenas comunidades. Questões de alta indagação têm outros foros de discussão. Nada de apresentar na Câmara Municipal projetos de concessão de títulos e mais títulos a gente que ninguém conhece ou moção de solidariedade aos povos oprimidos da África Central.

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