História apimentada

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Meu ex-aluno e sempre amigo foi logo me dizendo:

— Estive relembrando umas histórias de um amigo nosso, fazendeiro em Araçatuba, e dono de muita terra lá pelos lados de Mato Grosso, Goiás.

E me contou com propriedade esta, que coloco no papel com os devidos cuidados e omissões. Lembrou um pouco a atitude do rei Davi, capaz de mandar para os locais mais perigosos da batalha o capitão Urias, marido da desejável Betsabá:

Um camarada seu vivia com uma mocinha muito bonita, que logo chamou a atenção do fazendeiro, um fauno daqueles.

O que é que o poderoso senhor fez, imitando o bíblico rei?

A cada dia mandava o pobre camarada trabalhar nas lonjuras de suas terras, recomendando-lhe sempre:

— Quando acabar o serviço, não venha embora. Me espere por lá, porque quero ver se tudo saiu como eu queria.

E assim, a cada dia, o fazendeirão tinha tempo mais que de  sobra para  se deliciar com a mocinha pra lá de bonita.

Tudo ia  em ouro sobre azul, até que o camarada chegou ao patrão e lhe disse:

— Seu Fulano, tenho um assunto muito sério pra tratar com o Sr.

— Coisa de serviço?

— Não, não é coisa de serviço. É a respeito de Fininha.

(Fininha era a tal mocinha mais que bonita.)

O fazendeirão tremeu nas bases, tentou desviar o assunto, mas não deu. Não tirava os olhos do cinturão do camarada, onde vicejava um peixeira  daquelas.

— Então, pode falar.

— Não, aqui não dá pra conversar. Vamos pra um lugar mais sossegado.

(Ai, pensou o galanteador, ele me leva pra longe, me mata com sua peixeira e depois vive como se nada tivesse acontecido…)

— Então vamos pela estrada da cidade.

Percorrido pouco mais de um quilômetro no jipe, o camarada diz:

— O Sr. pode parar. Aqui está bom.

(Valha-me  Deus, se for chegada minha hora!)

— Então, o que é que há com a Fininha?

— O que há? O Sr. nem acredita… Ela está traindo nós dois com o Juca Soldado!

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