Rio-pardense ou riopardense?

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O uso do hífen é uma das muitas armadilhas da língua portuguesa. Para dizer a verdade, não só o uso, mas também a grafia: hífen leva acento porque se encaixa entre as palavras paroxítonas terminadas em l, n, r, x e ps: túnel, abdômen, éter, ônix e bíceps. Já hifens não leva acento porque não mais termina em n, como no singular. Termina em ns, que dispensa o acento, como em viagens, origens, ordens…

O sistema ortográfico decorrente de acordo em 1990 e de vigência não pacífica em diversos países que têm o português como língua nacional, mexeu profundamente com esse enigmático tracinho que causa tanta confusão na cabeça de muitos.

Exemplos de palavras que perderam o hífen: lua de mel, pé de moleque, pó de arroz, fim de semana, general de brigada. Mantiveram o hífen os nomes de animais e de vegetais: erva-de-santa-maria, coco-da-baía, canário-do-reino, aranha-caranguejeira, macaco-prego, sabiá-laranjeira…

No caso da palavra que dá origem a este artigo, o uso do hífen foi regulamentado no distante ano de 1943 e desde então não sofreu nenhuma modificação. O correto é escrever-se rio-pardense, como se explicará mais abaixo.

Apesar disso, as dúvidas persistiram porque o texto legal estabelece que as pessoas e os estabelecimentos que foram registrados de outro modo, podem manter a grafia original. Quem foi registrado como Christovam, não deve (nem pode) escrever da maneira correta: Cristóvão. Nome de pessoa se escreve como está na certidão de nascimento.

A Associação Atlética Riopardense, fundada em 1930 e assim registrada, não precisou mudar a grafia de seu nome. E por causa dessa brecha legal, muitos outros estabelecimentos foram posteriormente à lei de 1943 registrados com grafia errada. É o caso da Padaria Riopardense, do Clube Riopardense de Pesca, da Associação Riopardense de Professores Aposentados, entre outros. Que fazer? Penso que nada.

E por que o correto é rio-pardense? Porque este adjetivo indica algo relativo a Rio Pardo (duas palavras). É o que acontece com casa-branquense, são-joanense, são-paulino, vargem-grandense, sul-americano, mato-grossense, ribeirão-pretano, cruz-maltino, poços-caldense. Nem é preciso dizer que muito casa-branquense, muito são-paulino não sabem disso e nem aceitam isso…

Também pouca gente sabe que rio-pardense é o adjetivo pátrio referente não apenas a quem nasce ou mora nesta nossa amada São José do Rio Pardo. Dividem esta palavra conosco mais três cidades brasileiras: Rio Pardo (Rio Grande do Sul), Rio Pardo de Minas (MG) e Ribas do Rio Pardo (Mato Grosso do Sul). Nem é preciso dizer que também por aquelas bandas a grafia rio-pardense causa estranheza.

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